Instituto Politécnico de Lisboa

Dinâmicas, disfunções e défices do jornalismo contemporâneo

ESCS

29 Abril 2021

Jornalismo

É o objetivo de Três "D" dos Media: Desigualdade, desprofissionalização e desinformação, o livro que está no prelo, pela editora Livros Outro Modo, com organização dos docentes da Escola Superior de Comunicação Social, José Nuno Matos e Filipa Subtil e Carla Baptista, docente da Universidade Nova de Lisboa. Com publicação prevista para maio próximo, a obra sucede a “A Crise do Jornalismo em Portugal”, cuja primeira edição, de 2017, esgotou e deu lugar a reedição.

Três "D" dos Media: Desigualdade, desprofissionalização e desinformação, integra 19 textos, 16 dos quais inéditos e os restantes, reedições do volume anterior, revistos, atualizados e ampliados. Surge na sequência de um convite feito pela editora Livros Outro Modo, para dar continuidade a uma coleção, resultado da boa aceitação do primeiro volume.

Para Filipa Subtil, este segundo volume, “recupera, para a inverter, a promessa revolucionária de liberdade, democracia e equidade social. Esse imaginário produziu uma transfiguração real do país, traduzido no melhoramento de todos os indicadores sociais de bem-estar”.

Crise no Jornalismo

O primeiro volume, “A Crise do Jornalismo em Portugal”, publicado há quatro anos, reúne um conjunto de artigos que saíram na edição portuguesa do Le Monde Diplmatique, da autoria de jornalistas, académicos e investigadores na área dos media. Trata-se de um livro que traduz uma análise da versão portuguesa da crise, que, na perspetiva dos autores, pretendem contribuir para a inversão do cenário que se vive.

Crise no Jornalismo

Os quatros anos que separam as duas obras, refletem, para José Nuno Matos, um dos organizadores, “o aumento da precariedade generalizada nas redações”. Para o especialista em Sociologia do Trabalho e dos Media, “o desenvolvimento tecnológico a que se assiste implica a possibilidade de concentrar funções num só jornalista, o que terá consequências no tipo de jornalismo que se pratica”.

Já para Filipa Subtil, doutorada em Ciências Sociais, importa lembrar, que “a questão da precariedade não está desligada das desigualdades”. A docente constata que, “apesar dos avanços, persistem diferenças entre homens e mulheres”, bem como “as assimetrias no mundo do trabalho, no domínio do privado, da vida familiar”.

Esta obra é para os organizadores, “um projeto inacabado, que o jornalismo convoca como destino e vocação nos seus momentos de sobressalto, mas do qual se vem ausentando na prática”. Para José Nuno Matos, Filipa Subtil e Carla Batista, Três "D" dos Media, é um livro que trata das “causas instaladas que vêm provocando essa rasura da memória nos papéis sociais do jornalismo, mas inclui a reflexão sobre o surgimento de novos fenómenos”.

Sobre a escolha do título, Filipa Subtil diz haver “um sabor amargo, dado que,  Desigualdade, a Desprofissionalização e a Desinformação são hoje os males maiores do jornalismo. Estas forças, contrárias aos 3 D de abril - Democratizar, Descolonizar e Desenvolver: que comprometem o âmago da sua missão social e da sua orientação pública.

Para refletir ficam questões como: que espaço é que novos projetos, do ponto de vista jornalístico podem trazer? É possível fazer um jornalismo diferente?

Texto de CSS/GCI IPL